Quando fiz a resenha do álbum “New Dawn – Ku Khata” de Neco Novellas, aproveitei para dizer que o primeiro álbum da minha colecção de música moçambicana foi “Ver você dançar” (Orion Trading Lda, 1998) dos Imperadores, ex-banda de Digital Mc, que dispensa qualquer tipo apresentações, Ivo Alegre, o teclista e Paulo “Jetty” Woderich, o tal passadista cuja aparência fisionómica nos faz pensar que actor Dolph Lundgren, o soviético Ivan Drago do filme Rocky IV, seja moçambicano. O que eu não disse, na altura, foram algumas curiosidades relativas a este álbum. Mas não se preocupem, hoje vou dizê-las, não na totalidade pois não são poucas, apenas três:
- A primeira é que a música que dá título ao álbum, isto é, a passada “Ver você dançar” usa o ‘bassline’ do funky “Don’t look any further” de Dennis Edwards, o mesmo ‘bassline’ usado pelo produtor Johnny J para compor o polémico “Hit em up” de 2Pac e seu grupo Outlawz, o tal tema em que Pac e seus comparsas insultam sumariamente a muitos rappers da East Coast (Costa Este dos EUA) em particular ao Notorious BIG aka Biggie Smalls, má acção que se desconfia que tenha contribuido bastante para apimentar o bife ‘West Coast vs East Coast’ e posterior assassinato de 2Pac, que ocorreu alguns meses após o seu lançamento – Ooops, melhor parar, já estou a me desviar do papo.
- A segunda é que a mesma música, conta com a participação de Amável, guitarrista duma das primeiras bandas de rock pesado em Moçambique, os Phandzer, nome que ao que tudo indica significa os ‘pandzeiros’, ou seja, aqueles que ‘pandzam’. Espera aí, não terão sido Amável e companhia os reais precursores do género Panzda? Hmmm!!!
- A terceira e a mais interessante, é que a mesma música (de novo), para além de Amável, conta também com a participação da Banda Podre, isso mesmo, a prórpia Banda Podre, a mais underground do Hip Hop Moz, mais underground que malta Sociedade Anónima, os vencedores do prémio Melhor Grupo Underground Hip Hop Time 2010, muito mais underground que os próprios Lords of the Underground, muito mais ainda que Cannibus e Keith Murray que se dizem os Undergods, ou seja, os deuses do Underground. Isso mesmo, os rappres da Banda Podre, uma das mais fiéis ao género Hip Hop, foram uns dos primeiros a trair o RAP, não com o Pandza, como depois ficou na moda, mas com a Passada, que estava a bater na altura, arrastados por Digital Mc, que já tinha deixado o Rap para se juntar à Passada, há muito muito tempo. Ou será que não é a mesma Banda Podre, yah, só pode (não) ser.
Nota: Fazer a Banda Podre cantar passada deve ter sido fácil para o polivalente Digital Mc, o gajo já tinha feito outras coisas curiosas dignas de se lhe tirar o chapéu, tais como: no xigumbaza “Tchikiza”, seu primeiro sucesso a solo, Digital, ele mesmo contou, pegou numa letra dos rappers americanos Kriss Kross e cantou por cima da sua batida. Como se não bastasse, o gajo ainda acrescentou no coro, trocadilhos dos pantsuleiros sul-africanos Brenda Fassie e Sipho Mabuse. E não é tudo, Digital, que visivelmente se inspira no caboverdiano Grace Évora, acabou se especializando em copiar indiscriminadamente músicas de dono, da sua extensa lista de vítimas constam: Dennis Edwards, já citado, George Michael (Careless wisperer), Michael Jackson (Liberian girl), e outros que agora não me vêm à memória. Não é à toa que acabou retirando Mc, do seu nome, passando a se chamar, simplesmente, Digital, gesto louvável e que deveria ser seguido pelo outro Mc, o Roger.
3 comentários:
haha, esta postagem e' ao mesmo tempo informativa e hilariante!
"...copiar indiscriminadamente musica de dono"
^^um bom exemplo de Intertextualidade? Haha...
Hahahahahaha...
Apanhaste-me na esquina. Intertextualidade sim. Mas também não vamos EXAGERAR.
Mano Magus E pesado.
Onde voce arranja TIME para juntar tantos detalhes mano? Me rendi com esse gajo. Escreves bem, as vezes um pouco exajerado masdevo-me render.
ES PESADO.
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