Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

Chuvas de Deus, Cheias do Diabo*


Hoje venho semear dúvidas sem, no entanto, esperar colher alguma certeza, pois no campo das doutrinas religiosas os canteiros mais férteis estão mais dogmas que para evidências.
Quando Moçambique foi assolado pelas cheias do ano 2000, não houve faixa da sociedade que tenha ficado indiferente. Houve nesse ano, no nosso país, um movimento solidário sem precedentes. Na área da música, em particular, as cheias não só estimularam a solidariedade como também a criatividade. Foi por essas alturas que, só a título de exemplo, foi lançada a colectânea “Mozambique Relief”, para mim a mais arrebatadora compilação de música moçambicana de sempre, foi também nesse contexto que nasceu o projecto Mabulo, grupo musical que juntava artistas da nova e velha geração, uma ideia pioneira que foi muito aclamada tanto cá em casa como lá fora.      

Os músicos Swit e Edú, também não escaparam a esta onda que arrastava tudo e todos. Lançaram nessa altura duas canções, provavelmente as melhores de suas carreiras, que tinham similaridades tão interessantes quanto impressionantes: os vídeos eram muito parecidos, ambos eram a preto e branco e, tanto numa como noutra, era apontado o provável responsável por aquela catástrofe.

Enquanto Swit cantava mais ou menos assim:
“ Se pelas chuvas nós perdemos
Tudo aquilo que tivemos
É porque quis o Senhor Divino
Assim traçar-nos o destino”

Edú também não ficava atrás, e cantava algo como:
“Aquelas chuvas tão cruéis
(Destroem tudo que a gente tem)
Trabalhamos dia e noite p’ra nada
É o Diabo a estragar
Estragando a minha Terra
Deus salve a minha Terra!”

Como dá para ver, para Swit o responsável pelas cheias foi Deus, isto é, as cheias aconteceram porque Deus assim o quis. Para Edú, porém, a culpa foi do Diabo, ou seja, foi o Diabo quem mandou as cheias com intenção de destruir a Terra. Mas cá entre nós, quem terá sido o real responsável? Deus ou Diabo?

Sobre Deus, para quem já leu Génesis e conhece a história da Arca de Noé, decerto se lembra que Ele uma vez se arrependeu de ter criado o Homem pois este, contra as Suas expectativas, havia se tornado muito violento. Então, mandou Deus uma grande chuva que, tendo caído durante quarenta dias e quarenta noites, inundou tudo e todos, excepto Noé, sua família, alguns animais e algumas plantas. Só que, depois desse extermínio, parece que Deus, uma vez mais, arrependeu-se e disse:

“Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.” (Génesis 8, 21)

No que toca ao Diabo, não tenho matéria nem para incriminá-lo nem para defende-lo, embora seja de praxe a ele atribuir todas acções maldosas. Logo, o impasse se mantém:

Serão as cheias coisa de Deus ou do Diabo?

*Título inspirado no título da obra “Venenos de Deus, Remédios do Diabo” do escritor moçambicano Mia Couto.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Imagem da mulher no Hip-Hop Moçambicano (3): A Imagem Mulher-Cara-Metade


Já lá vão uns bons ‘mesitos’ que apresentamos a Imagem Mulher-Caça-Tesouros, confira aqui, uma das oito imagens da mulher, apresentadas pelo investigador Estêvão J. Filimão no seu artigo “Imagem da mulher nas canções da música urbana na Beira (1975 - 1989)” e como prometemos cá estamos de volta para dar continuidade à nossa reflexão, que desta feita irá incidir sobre a segunda imagem, isto é, a Imagem Mulher-Cara-Metade. Cá vamos nós!

Segundo Filimão, esta imagem
“É caracterizada essencialmente pelas seguintes categorias de elementos: a exigência de busca ou procura que faz nascer no outro parceiro ou admirador; a referência ao termo amor (…) engendrando a ânsia de encontro com a pessoa visada; os termos esperar, confiar, preservar, saudades, distância, presença, promessa, namorada e os demais que possam ser empregues para traduzir este sentimento forte e, por vezes, violento que é a intolerância com que se suporta a ausência da pessoa amada.” [1]

Aqui, embora a definição tenha sido, uma vez mais, muito clara, não iremos resistir à tentação de torná-la mais clara ainda. Para tal, iremos buscar o curioso conceito de alma gémea, que muitas vezes se confunde com cara-metade. Em relação a este, os espíritas

“Dizem que Deus, ao criar cada alma deu-lhe uma forma arredondada - uma esfera. Seguidamente, cortou-a em duas metades e colocou cada uma num  corpo diferente. A alma gémea não é mais do que a nossa outra metade perdida e todos quantos a buscarem encontrá-la-ão. Cada alma tem por missão descobrir a metade que lhe falta – a sua alma gémea. O primeiro passo a dar é acreditar na sua existência.” [2]

Agora sim, sentimos que chegamos lá, ou se não, pelo menos não estamos muito longe disso. Entretanto, seguindo à risca os conceitos ora apresentados, fica desde já clarividente a dificuldade com que esta imagem poderá ser encontrada no seio do Hip-Hop, e para os leitores mais atentos, evidente também fica o motivo de tanta demora na publicação deste texto. Isto acontece porque, segundo referimos no número anterior, o Hip-Hop é um jogo muito machista, tanto que os jogadores mais radicais não ousam se aventurar para o lado romântico da coisa, nem tão pouco admitem que os outros o façam, pois tal atitude iria, certamente, deixá-los cair em descrédito, ou seja, comprometer a sua masculinidade. Neste jogo, lançar uma ‘música romântica’ para posteriormente provar que continuas sendo um rapper verdadeiro é tão difícil quanto provar que continuas sendo viril depois de admitir que foste castrado.  
   
Assim sendo, o que muitos rappers acabam fazendo, é sim serem românticos mas tendo sempre o cuidado de deixar bem claro, nas suas letras, o seu tão idolatrado lado macho, conforme verificou o articulista norte-americano Nathaniel no artigo “ Hip-Hop Love Songs and the Construction of Socially-Acceptable Urban Identities”[3]
A seguir iremos apresentar alguns casos, alguns deles bastante caricatos, outros nem por isso:
Iremos começar pelo rapper Mc Roger (niggas não me apedrejem, tenho muitos anos nesta estrada e sei muito bem do que estou a falar). Pois é, no seu hit “Baby boo” (com Mr Arssen e Doppaz) Mc começa por se humilhar diante da sua cara-metade:

 “Estou a ser verdadeiro
 Um bom guerreiro
 Baby por ti sou fachineiro”

Mas sem perder tempo, no verso seguinte se exalta:

“Aproveite agora que o Mc tá na área
 Pois camarão que dorme a onda leva
 Word up!”

Sem comentários, vamos continuar…

Três Agah, rapper da G Pro, na música “My Queen” expõe em seus versos alguns dos exemplos mais felizes da presença desta imagem, primeiro com a ajuda imprescindível de G2:
“Me sinto um homem completo
Só contigo do meu lado girl”

E depois por conta própria:

“Eu e tu tipo cola tudo
 Eu e tu tipo banda e número
Nós dois juntos
Cara e coroa”

Mas logo mais tarde se apercebe que foi ‘fraco’ e decide ‘lavar a sua honra’:

“Eu sou Três Poderoso-Nas-Pitas”

Rage, da Cotonete Cotenete em “Tu não vês” também alinha pelo mesmo diapasão:

“Ele é um manda chuva
 Anéis de ouro na mão
 Compra-te tudo mas não te pode comprar o coração
 Eu não sou o Super-Homem
 Nem tenho foguetão
 Para te levar à Lua só preciso dum colchão”  

Aqui Rage foi forte em quase toda estrofe pois ganha coragem e confessa sua pobreza diante da pessoa amada e mais, mostra que o amor está acima dos bens materiais mas, como os outros, peca pela obsessão em defender a sua masculinidade quando no último verso, o tal do punchline, denuncia que o que mais confia é o seu membro viril. 
Ia também falar de Yazalde Yazalde aka Y-Not mas acho que vale a pena poupar palavras e referir apenas que a música mais romântica deste rapper, por sinal a única, tem como título:

 “Para não dizerem que não falei de amor”.

De tudo que ouvi, o único que não me pareceu muito preocupado em ‘se fazer’ de forte foi o rapper Duas Caras em “Sms”:

“Confesso que me achava duro
 Mas acho que me enganei fofa
 Desta vez o boy caiu do muro”

Enfim são tantos os exemplos em que a Imagem Mulher-Cara-Metade está patente no seio do Hip-Hop Moçambicano. Entretanto, esta imagem apresenta-se quase sempre contaminada pela preocupação que os rappers têm de manter ou construir aquilo que Nathaniel chama de “Identidade Urbana Socialmente Aceitável”. Isto acontece porque, historicamente, o Hip-Hop foi sempre um movimento dominado pelo sexo masculino. O facto de este movimento constituir o reflexo da luta pela sobrevivência no meio urbano, forçou os seus membros a manter um nível de masculinidade para serem aceites em suas comunidades. Paralelamente a este facto, esta tendência denuncia também a sociedade machista em que vivemos, uma sociedade em que embora a Mulher esteja a ganhar cada vez mais espaço na luta pela sua emancipação, as relações de poder continuam ainda sendo dominadas e determinadas pelo Homem.
 
Referências Bibliográficas:
[1] Afonso, A. E. S. (Coordenação). Eu Mulher em Moçambique. Maputo: CNUM/AEMO, 1994.


FÉNIX - Vídeo Oficial Live(Liberdade)


Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

Uso de contos ou histórias como meio de transmissão de valores no Rap Moçambicano


Introdução
Em muitas comunidades africanas onde ainda não existe a educação formal, contos ou histórias têm sido usados pelos mais velhos como meio de transmitir valores para os mais novos. Na verdade, esta forma ‘tradicional’ de educar não se restringe apenas a essas comunidades podendo, portanto, estender-se e adaptar-se para qualquer outra paisagem social. Tradicionalmente, as histórias eram contadas rigorosamente à volta da fogueira, cabendo aos mais velhos o papel de transmitir, por essa via, aos seus descendentes, valores morais que outrora também lhes foram transmitidos pelos seus antecessores. Hoje em dia as coisas mudaram e essas histórias estão disponíveis em qualquer meio de comunicação, podendo estar escritas nos livros, lidas através da rádio, transmitidas pela televisão, projectadas através do cinema, na Internet e até onde menos se desconfia que elas estejam: na Música.    
O presente texto pretende, conforme o título sugere, ser uma breve demonstração de como as histórias são usadas no mundo da música Rap (vertente musical da cultura Hip Hop) como forma de transmissão de valores. Para tal, iremos espreitar as músicas ‘Vidas Positivas’ de Mr. Arssen, ‘Labirintos’ de Azagaia e ‘VenSIDA’ de Iveth. Mais adiante cada um irá descobrir ‘os porquês’ da escolha destas músicas. Por ora, iremos iniciar a nossa abordagem com uma pergunta, a qual tentaremos responder ao longo de texto:

Porquê usar histórias e música para transmitir valores?
Sobre histórias, Gallehugh e Gallehugh (2005) afirmam que “habitualmente aprendemos mais e melhor por meio de uma alegoria, dado que reduz a resistência natural à mudança e gera uma impressão mais duradoura na memória. Com os contos ou histórias as pessoas baixam as defesas e, escutam e aprendem melhor. Quando se escuta um conto é fácil identificar-se com seus heróis e portanto converter-se o conto em um espelho de experiências humanas”. [1]
Se têm as histórias esse poder transformador sobre as pessoas, o que dizer então da música?
Segundo o filósofo grego Aristóteles "...emoções de toda espécie são produzidas pela melodia e pelo ritmo: através da música, por conseguinte, o homem se acostuma a experimentar as emoções certas: tem a música, portanto, o poder de formar o carácter, e os vários tipos de música, baseados nos vários modos, distinguem-se pelos seus efeitos sobre o carácter - um, por exemplo, operando na direcção da melancolia, outro na da efeminação, um incentivando a renúncia, outro o domínio de si, um terceiro o entusiasmo, e assim por diante, através da série". [2]
De certa forma, estas citações não só respondem à nossa questão como também deixam transparecer, embora de uma forma geral, que se tanto as histórias como a música separadamente têm o poder de transformar o carácter das pessoa, em nada se pode duvidar da eficácia do efeito combinado destes dois fenómenos.
Continuando, iremos tentar afinar a resposta à medida da música Rap conforme prometemos na Introdução. É importante relembrar que o Rap nasceu não só com o propósito de denunciar a triste e degradante realidade social vivida pelos jovens afro descendentes (nos EUA) mas também para propor possíveis saídas para tal situação. Então, assim como os contadores de histórias, os rappers carregavam (e ainda carregam) consigo a responsabilidade de orientar os membros das suas comunidades para uma mudança de comportamento face à algumas atitudes negativas. Daí o facto de alguns rappers recorrerem ao uso de narrações como forma de consciencializarem o seu público-alvo, como o fizeram os rappers moçambicanos Mr Arssen, Azagaia e Iveth cujas letras serão consideradas a seguir:

As histórias dos rappers Mr Arssen, Azagaia e Iveth

  1. Vidas Positivas – Mr Arssen (com Dejavu)
Neste tema, Arssen conta a história de Constantino, um jovem de 20 anos, órfão de pai e mãe, que vivia num acampamento, num ambiente de fraternidade com outros jovens na sua condição. Entretanto, cansado de fazer figura de parvo, ele decide mudar de atitude e passa a viver de maneira negativa: vai à discoteca, mate-se com muitas mulheres e não dá ouvido a todos quanto o chamam atenção em relação ao seu comportamento. A seguir, abandona o acampamento para ir viver na rua onde tinha que lavar carros para ganhar a vida, sem deixar de lado o seu estilo de vida boémio. Um dia, Constantino acorda doente e decide ir ao hospital e lá descobre que era seropositivo, daí, seus novos companheiros passam a estigmatizá-lo e ele sente-se muito triste e só. Então, ciente das consequências dos seus maus actos, arrepende-se e decide voltar para onde tudo começou. Volta ao acampamento e lá todos o recebem de braços abertos. Vale a pena conferir o refrão brilhantemente interpretado pela dupla Dejavu, pois nele está estampada a ideia principal deste tema musical: “Quero mudar esta situação, quero dar mais a minha mão/ E levar uma vida positiva”.

  1. Labirintos – Azagaia (com SGee)
Em ‘Labirintos’ Azagaia expõe o complexo tema das redes sexuais. Conta-nos as histórias de quatro personagens cujas vidas estão interligadas por meio de uma rede sexual. O primeiro é Carlos que é um homem bem casado, com uma grande mulher e pai de uma bela e bem comportada filha, a Cecília. Entretanto, apesar da sua sorte, Carlos tem o defeito de ser muito mulherengo, tendo inclusive levado várias doenças venéreas para casa e por fim ter acabado por se infectar pelo vírus do SIDA. Depois temos a Dona Paula, uma mulher trabalhadora, casada e mãe de uma filha. Por ser infeliz, Dona Paula acaba saindo com Celsinho, um rapazinho que não chega a ter metade de sua idade. Ela descobre que está infectada e se ressente por ter feito sexo sem preservativo com Celsinho. A seguir nos é apresentada Cecília, a filha de Carlos e Dona Paula, que adora os pais mas adora muito mais ainda o namorado, tanto que faz amor com ele sem usar preservativo. Entretanto, o azar bate a porta, o namorado que tivera um caso com uma ‘cota’, faz o teste de HIV e o resultado é positivo, conta a história à namorada e ela quase que sufoca. Por fim, Cecília fica grávida, os pais descobrem e exigem que o namorado se apresente. Para o espanto de todos no dia da apresentação descobre-se que o tal namorado era nada mais nada menos que Celsinho. Posto isto, Azagaia apela a todos para mudarem de comportamento e o tema fecha com o refrão cantado em Xironga (língua do sul de Moçambique) por SGee, o mesmo que é usado para intercalar as histórias, cujo conteúdo é o seguinte: “Sei que errei/ Peço que me perdoe”.
    
  1. VenSIDA – Iveth (com Sick Brain, Henv, Azagaia & Bakha)
Em VenSIDA encontramos três histórias trágicas cujo conteúdo pouco se distancia das que já vimos. O tema abre com uma visão geral da anfitriã Iveth sobre o conteúdo das histórias que seus convidados Sick Brain, Henv e Azagaia a seguir apresentam. De uma forma resumida a música fala de três jovens que por motivos distintos acabam se infectando pelo HIV, o primeiro por ganância, a segunda por ingenuidade e o terceiro pelo alcoolismo. Aqui as histórias são intercaladas pelo refrão: “Mais uma alma vencida/ uma consciência adormecida/ Talvez tenhas a prenda merecida/ Mas deixas a sociedade distorcida”.
   
Considerações finais
Reflectindo sobre os conteúdos das histórias, facilmente poderemos chegar à conclusão de que através delas realmente iremos baixar as nossas defesas, escutar e consequentemente aprender mais e melhor. Em todas histórias, não iremos detalhá-las novamente pois seria um exercício desnecessário, identificamos nas personagens algumas atitudes muito próximas àquelas que tomamos no nosso dia-a-dia e, de certa forma, a maneira como cada história se desenvolve e termina pode nos consciencializar de forma a evitar um futuro dramático. Há também na moral de cada história uma clara transmissão de uma série de valores tais como: a fraternidade, a temperança, a não estigmatização e o perdão (Vidas Positivas); a união familiar, a fidelidade, a honestidade e o respeito (Labirintos); a humildade e a prudência (VenSida). Enfim, estas histórias convertem-se em um verdadeiro espelho de experiências humanas que nos conduz à mudança de comportamento.

Referências bibliográficas
  1. Gallehugh, S. e Gallehugh, A. (2005). Cuentos para mayores. Barcelona: Obelisco.
  2. Mr. MaxMaster (2005). Mensagens Sublimares. Disponível em: c343.4shared.com/.../-B.../MENSAGENS_SUBLIMINARES_2.pdf

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Mesio - Antes de fazer amor (Video)


Mesio - Antes de fazer amor (Zalde Rec)

Segunda-feira, Novembro 07, 2011

Fénix apresenta o álbum Sonor(IDADE)


Fénix, Moçambiacano vivendo em Portugal, apresenta o seu álbum, intitulado Sonor(IDADE) que tem a particularidade de ter todas as instrumentais produzidas pelo Moçambicano DJ NOD e a aprticipação de dois emcees portugueses nomeadamente: JR & C-Mike, e da Caboverdiana Priscila.
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